Maria Beatriz Barbosa de Souza: na gira da vida de Mãe Beata
Sinopsis
No entrelaçar de tradição e escrita, ergui meu texto como um fio sagrado que vincula vidas, saberes, memórias e informação. Com base no conceito de “trajetória infomemorial” — uma ideia-força que atravessou o estudo, e assim formei o sustentáculo teórico para construir a trajetória infomemorial de Maria Beatriz, Mãe Beata, no contexto cultural, social e religioso da cidade de João Pessoa (PB), a partir de seu acervo pessoal, espaço de recordação, como assegura Aleida Assmann.
Ao assumir um enfoque documental e qualitativo, misturei fontes documentais e vozes. Foram 825 registros recolhidos — entre jornais, documentos, fotografias, quatro livros, cinco entrevistas narrativas entre outros testemunhos. Esse acervo, longe de ser apenas material de pesquisa, é um corpo vivo: um arquivo que fala, que conta, que reza.
Busquei articular conceitos de Foucault sobre “escrita de si” (2009), Gomes (2004) e os aportes de escrevivência de Conceição Evaristo (2017; 2020), num misto que culminou com uma epistemologia que autoriza a presença da vivência negra e feminina como corpo de conhecimento, de vivências e de práticas.
Graças a isso, retratei “a trajetória de uma mulher negra e sertaneja”, que consolidou o Candomblé Angola em João Pessoa/PB e celebrou o casamento religioso com efeito civil na Umbanda na década de 1970, ressurgem com força, visibilidade e potência.
Porque registrar Mãe Beata é recontar a história de resistência, da mulher que adentrou o mundo acadêmico vestida com seu axó, trazendo consigo a percussão dos elús e dos atabaques, uma espécie de chamamento para que a Ciência reconheça a força da tradição e dos mestres e mestras.
O livro em epigrafe se reveste de um gesto de justiça epistêmica. Faz dos acervos pessoais um lócus de informação, memória e poder. Lugar de fala que escapa ao silêncio. É um xirê que converte documentos em ritual, entrevistas em cura, memória em rebeldia.
Que a leitora e o leitor percorram esta obra como quem entra em casa, com respeito, com afeto e com escuta fina. Porque aqui, Ciência da Informação e axé se encontram — e se transformam.
Salve Mãe Beata, salve as forças ancestrais!
A minha fé encontra a sua e a saúda.
Meu Saravá!
Karina Ceci de Sousa Holmes
João Pessoa, 30 de julho de 2025.
